quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

DESPERTAR


HOJE acordei almejando trocar conhecimentos, palavras e emoções. Quero o que transcende os limitadores 5 sentidos, a ilusão do tempo e os muros da realidade que percebemos. Busco a "realidade última" e ela acontece dentro de nós e pode ser transmitida num abraço, num olhar, num sorriso, num toque, desde que ele seja o reflexo da manifestação do mistério e da "matéria invisível" que é a substância primordial da criação: o Amor. Fernando Pessoa dá-me um pouco de alma a cada dia, ensinando-me sobre como e por onde sondar os caminhos que levam ao Mestre, ao Ser, por isso é importante o "sentir tudo de todas as maneiras". Ir ao fundo da alma para em suas cavidades mais secretas, possamos colher uma porção do "eu sou", construindo assim uma estrada de uma linha reta que leva até nossa origem. O ser nos espera intocável em seu trono de Ouro e é para lá que desejo caminhar através da poesia, guiado pelas emanações do Amor e seus eflúvios. Na terceira margem do Rio está a transcendência, o encontro com o indizível, com aquilo que não está nos poemas, mas que vibra secretamente no silêncio. No silêncio mais azul do inefável, na aritimética sagrada das estrelas, nas assinaturas Divinas que bailam no cosmos, que brilha nas estrelas, que falam através da boca dos pássaros, que dançam com salamandras, que corre nos rios, dizendo-nos sempre o óbvio: é hora de despertar.

ETERNA MANIFESTAÇÃO


Pensando e sentindo que no agora manifestam-se todos os tempos, tenho a certeza de que ao cruzar com o olhar de um amigo, ao abraçar-me sinceramente com uma pessoa, ao desejar boas-vindas aos que chegam a esse plano, boa partida para o pórtico do Infinito aos que se vão, ao contemplar todas as criaturas visíveis e invisíveis de nosso Pai criador e beber na fonte que tudo criou, dou-me conta que tudo está em


ETERNA MANIFESTAÇÃO

Há um azul sempre nascente na paisagem
De minh’alma. A união de palavras e silêncios
Em harmonia sagrada de quereres.
Poesia inscrita na pele, pousada nos olhos,
Emanada do espírito, irradiada na carne.
Um sopro dourado de vida,
Um repouso no infinito,
A natureza do Divino e do para
Sempre manifestando-se
No eterno agora de te amar
.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

BEETHOVEN




Após lágrimas derramadas por uma emoção cujo nome não conseguem traduzir as palavras, tanto por ouvir a Música, desse que, surdo, nos legou sons de uma nova era, sons que estão, acreditem, nas esferas transcendentais, atemporais, ecoando no infinito do astral, como por Ler esse poema tão, tão... inquietante, áspero, lírico e transcendente ao mesmo tempo, do Mestre Drummond, tenho a honra de esparzir a luz contida nessas palavras tão poéticas, tão proféticas...




BEETHOVEN

Meu caro Luís, que vens fazer nesta hora
de antimúsica pelo mundo afora?

Patética, heróica, pastoral ou trágica,
tua voz é sempre um grito modulado,
um caminho lunar conduzindo à alegria.
Ao não-rumor tiraste a percepção mais íntima
do coração da Terra, que era o teu.
Urso-maior uivando a solidão
aberta em cântico: entre mulheres
passando sem amor. Meu rude Luís,
tua imagem assusta na parede,
em medalhão soturno sobre o piano.
Que tempestade passou em ti e continua
a devastar-te no limite
em que a própria morte exausta se socorre
da vida, e reinstala
o homem na fatalidade de ser homem?

Nós, os surdos, não captamos
o amor doado em sinfonia, a paz
em allegro enérgico sobre o caos,
que nos ofertas do fundo
de teu mundo clausurado.
Nós, computadores, não programamos
a exaltação romântica filtrada
em sonatino adágio murmurante.

Nós, guerreiros nucleares, não isolamos
o núcleo da paixão de onde se espraia
pela praia infinita essa abstrata
superação do tempo e do destino
que é razão de viver, razão florente
e grave.

Tanto mais liberto quanto mais
em tua concha não acústica cerrado,
livre da corte, da contingência, do barroco,
erguendo o sentimento à culminância
da divina explosão, que purifica
o resíduo mortal, angústia mísera,
que vens fazer, do longe de dois séculos,
escuro Luís, Luís luminoso
em nosso tempo de compromisso e omisso?

Do fogo em que te queimaste,
uma faísca resta para incendiar
corações maconhados, sonolentos,
servos da alienação e da aparência?

Quem comporá a Apassionata de nosso tempo,
que removerá as cinzas, despertará a brasa,
quem reinventará o amor, as penas de amor,
quem sacudirá os homens do seu torpor?

Boto no pickup o teu mar de música,
nele me afogo acima das estrelas.


Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

O Retorno


Hoje às 7 da manhã entrou a Lua Nova. Novidade, nova-idade. Ano novo. A tormenta elétrica Azul. Fui indagado por Cadu, meu amigo de eras tão antigas, cuja data que o conheci se perde nos registros da memória e se transforma em fumaça branca na noite dos séculos, fui indagado por esse meu amigo se eu não tinha um lugar onde publicasse meus escritos... E então lembrei-me desse espaço. Como sou um alma em formação não sei que palavras registrarei aqui, deixarei a lua me guiar, afinal ela é nova, o ano é novo, o ciclo é novo... Só sei que sinto tudo sempre começando e que quero que o eterno agora em que habito seja suave como as calmas águas de um riacho. É bom estar atento à arte régia da Natureza, ao coro Divino de Pássaros, aos sons que habitam o silêncio, ao acorde secreto que permeia o imo das coisas e torna tudo sagrado. Por isso hoje eu sinto tudo começando: a lua é nova. E o cinza não é cinza: é uma fina prata que é o meu leme: o amor. Desejo que a paz prateada da Lua em seu silêncio habite cada um que saiba contemplá-la. Desejo que a paz que habita em mim se multiplique em você que lê essas letras.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Raiva!






Peças Teatrais...


Gritos cheios de ais!


(Raiva!)


Acordes perfeitos enquanto durmo...


(Raiva!)...


Culpa que me mata...


Quero estar distante


Do instante...


Sou o gênio que não veio...


(Raiva!)


Sou a angustia de sentir


Uma alegria tão morna


Que dá raiva!...


Sou o autor dessas linhas torpes,


Cheias de horror, DE CULPA...


De um Raskolnikov Lúcido...


Embebido de escuridão...


Acordes Perfeitos martelam em minha cabeça


A Raiva de não ser um Gênio!


Durmo...


Peças teatrais representadas


Na confusão de ser-eu...


Gritos cheios de ais!


(Raiva!)


Amanhece escuro..


Vontade de despertar...


Despertar pela raiva....


Raiva de não ser um gênio!








Chegando...


Cheguei aqui nesse espaço para divagar e espalhar pensamentos que surgem sem qualquer aviso no espaço do meu interior. Por que "O Homem sem qualidades"? porque, como no romance de Musil, sou um personagem em formação, ou seja, uma alma em formação. Não sei porque criei esse espaço. Não sei se serei lido, mas, por algum processo interior cujo nome desconheço - seria vaidade, altruísmo, egoísmo?, resolvi escrever aqui pensamentos tão literários como os processos interiores. Sonhos, cenas, passagens de livros, passagens do dia, passagens de galeria, passagens de avião... tudo o que estiver no horizonte do pensamento, mirando o infinito e inquietando o meu agora, fazendo turvas as águas que correm nas cavidades do Ser. Talvez seguindo esse olhar do Musil eu chegue a iniciar o texto... hoje não, só depois de amanhã.... Talvez esse olhar seja a vontade arrumar as malas para o definitivo... Mas... só depois de amanhã....